Sunday, December 3, 2017

Orquídeas e filetes de polvo (com sugestões para o tratamento da azia)

Filetes de polvo

A Casa Aleixo


Sai-se da estação de comboio de Campanhã, vira-se à esquerda e segue-se pela Rua da Estação em direcção à Rua do Freixo. Em cinco minutos, à nossa direita, temos a Casa Aleixo. Não percam os filetes de polvo: tenrinhos, suculentos, acompanhados pelo arroz do dito cujo...



Eu admito que sou um escravo das minhas papilas gustativas, e uma visita ao Porto (ao Norte, em geral) tem, para mim, o carácter de expedição ao Nirvana gastronómico: ganho dois quilos e uma crise de gota (além da estadia há o leitão da bairrada: ao almoço na viagem de ida, ao jantar na viagem de volta).
Aproveito para contactar os amigos que lá tenho, que me levam a sítios giros, bebemos uns copos e conversamos sobre tudo e mais umas botas.
Não vou discutir os gostos futebolísticos, mas são gente tão pachola que eu perdoo tudo...


A guerra Norte - Sul

Para além de umas "bocas" meio gozonas ditas mais por sentido de obrigação do que por verdadeira convicção, nunca me senti hostilizado: muito pelo contrário, sinto-me bem vindo e acolhido por gente que gosta de receber os amigos, venham eles de onde vierem, e que está sempre pronta para os ajudar.
Também é um prazer recebê-los cá em baixo, e garanto que nunca os vi sujar as ruas nem tentar envenenar os peixes do Oceanário.


Exposições/Vendas/Feiras de orquídeas

Duas feiras em Lisboa

Nunca tinha visitado uma exposição assim em Portugal, e, agora, em quinze dias fui a duas! O que é o progresso...
Apesar da crise de ansiedade que provoquei no meu gestor de conta é claro que gostei e é igualmente claro que vi coisas (na minha opinião) a repetir e outras a corrigir.

Pareceu-me que o esquema destas exposições é, basicamente, o mesmo, com três componentes fundamentais:

Um conjunto de vendedores de orquídeas, uns especialistas, outros (digamos) generalistas. É o terror do cartão crédito, mas é também a oportunidade de conseguir mais umas preciosidades para a colecção... 

Um programa de conferências sobre temas relacionados com a orquicultura. Parece-me que a generalidade dos visitantes não presta a estas conferências a atenção que merecem e que as organizações não fazem suficiente propaganda delas no local. Faltam conferências teóricas e prácticas de nível introdutório para os verdadeiros principiantes.
Porque não uma "banca" permanente da exposição em que voluntários de competência reconhecida aconselhariam os visitantes e responderiam a questões?

Uma exposição de orquídeas dos sócios da colectividade promotora da exposição, julgamento das mesmas e atribuição de prémios.
Aqui é que começa a (com Vossa licença) porca a torcer o apêndice caudal...

Dou-vos a minha opinião com a intenção expressa de contribuir para a resolução de situações que considero negativas e não querendo agastar ninguém.
Honi soit qui mal y pense...


As orquídeas dos Sócios (ou os Sócios das orquídeas)

Em ambas as exposições a mesa das orquídeas dos sócios estava espectacular, e vi muitas plantas raras, bonitas e bem cultivadas. Para mim, mais interessado em espécies e outras esquisitices, gostei mais da da exposição de Santa Clara, mas a de Oeiras tinha muitas plantas como as que se podem comprar normalmente em Garden Centers que, apesar de algumas serem filhas de pais incógnitos, eram bonitas e estavam bem cultivadas.

O mau
O que me impressionou negativamente foi a pouca disponibilidade mostrada pelos orquidófilos do Sul (incluindo Lisboa) para contribuir com as suas plantas para a exposição.
Ao que sei isto aconteceu em ambas as exposições.
Percebo que não é fácil levar plantas em flôr para uma exposição: a minha colecção é ainda muito pequena, e a minha possível contribuição teria sido um Bulbophyllum com flores que fecham às 9.30 da manhã...
Provavelmente muitos orquidófilos do Sul terão o mesmo problema, mas as coisas têm que melhorar!
Há muito orquidófilos no Sul do País, e o Algarve (por exemplo) não fica mais longe de Lisboa que o Porto. É um pouco absurdo criticar uma exposição porque tinha poucas plantas e, ao mesmo tempo, recusarmo-nos a contribuir com as nossas.

O bom
Muitas plantas vieram do Norte para as exposições, e, enquanto visitante de ambas, fico agradecido a quem se prestou a trazer as suas preciosidades e a fazer trezentos quilómetros ou mais para que eu as pudesse apreciar.
Foi por "cagança"? Talvez... mas garanto-vos que eu só não sou também vaidoso porque não tenho razões para isso.
Tenho, isso sim, admiração por quem tem colecções suficientemente importantes para contribuir com tantas coisas lindas. Lindas e bem cultivadas. 
Tenho admiração e tenho inveja. Mas é uma inveja positiva, a inveja que todos devemos ter quando vemos que é possível fazer as coisas melhor que nós e que, assim, temos a possiblidade de aprender a fazer melhor e progredir no hobby.


Amargos de Boca

Eu sei que há dois clubes que se reclamam de âmbito nacional,e que estão, neste momento, sediados em Lisboa e no Porto (ou no Porto e em Lisboa).
Não vejo mal nenhum nisso.
Também sei alguma coisa da história de ambos, de alguns dos acontecimentos passados e dos seus protagonistas .
Sei, mas não me interessa!

Temos que detestar os Espanhóis porque nos invadiram um ror de vezes, os Franceses por causa das invasões napoleónicas, os Ingleses por causa do Ultimato, os Chineses por causa dos mandarins de Cantão, os Japoneses pela perseguição aos missionários, os Brasileiros porque declararam a independência, etc., etc....
Temos que os detestar a todos, e passar o nosso tempo a ruminar os insultos do passado, como o vómito amargo que nos sobe à garganta.
Se querem ir por aí: Boa Viagem!
Eu fico.



Vale!


Disclaimer: Nunca, nas muitas vezes que fui à Casa Aleixo os filetes de polvo me fizeram azia. São outras coisas...







No comments:

Post a Comment