Sunday, December 3, 2017

Orquídeas e filetes de polvo (com sugestões para o tratamento da azia)

Filetes de polvo

A Casa Aleixo


Sai-se da estação de comboio de Campanhã, vira-se à esquerda e segue-se pela Rua da Estação em direcção à Rua do Freixo. Em cinco minutos, à nossa direita, temos a Casa Aleixo. Não percam os filetes de polvo: tenrinhos, suculentos, acompanhados pelo arroz do dito cujo...



Eu admito que sou um escravo das minhas papilas gustativas, e uma visita ao Porto (ao Norte, em geral) tem, para mim, o carácter de expedição ao Nirvana gastronómico: ganho dois quilos e uma crise de gota (além da estadia há o leitão da bairrada: ao almoço na viagem de ida, ao jantar na viagem de volta).
Aproveito para contactar os amigos que lá tenho, que me levam a sítios giros, bebemos uns copos e conversamos sobre tudo e mais umas botas.
Não vou discutir os gostos futebolísticos, mas são gente tão pachola que eu perdoo tudo...


A guerra Norte - Sul

Para além de umas "bocas" meio gozonas ditas mais por sentido de obrigação do que por verdadeira convicção, nunca me senti hostilizado: muito pelo contrário, sinto-me bem vindo e acolhido por gente que gosta de receber os amigos, venham eles de onde vierem, e que está sempre pronta para os ajudar.
Também é um prazer recebê-los cá em baixo, e garanto que nunca os vi sujar as ruas nem tentar envenenar os peixes do Oceanário.


Exposições/Vendas/Feiras de orquídeas

Duas feiras em Lisboa

Nunca tinha visitado uma exposição assim em Portugal, e, agora, em quinze dias fui a duas! O que é o progresso...
Apesar da crise de ansiedade que provoquei no meu gestor de conta é claro que gostei e é igualmente claro que vi coisas (na minha opinião) a repetir e outras a corrigir.

Pareceu-me que o esquema destas exposições é, basicamente, o mesmo, com três componentes fundamentais:

Um conjunto de vendedores de orquídeas, uns especialistas, outros (digamos) generalistas. É o terror do cartão crédito, mas é também a oportunidade de conseguir mais umas preciosidades para a colecção... 

Um programa de conferências sobre temas relacionados com a orquicultura. Parece-me que a generalidade dos visitantes não presta a estas conferências a atenção que merecem e que as organizações não fazem suficiente propaganda delas no local. Faltam conferências teóricas e prácticas de nível introdutório para os verdadeiros principiantes.
Porque não uma "banca" permanente da exposição em que voluntários de competência reconhecida aconselhariam os visitantes e responderiam a questões?

Uma exposição de orquídeas dos sócios da colectividade promotora da exposição, julgamento das mesmas e atribuição de prémios.
Aqui é que começa a (com Vossa licença) porca a torcer o apêndice caudal...

Dou-vos a minha opinião com a intenção expressa de contribuir para a resolução de situações que considero negativas e não querendo agastar ninguém.
Honi soit qui mal y pense...


As orquídeas dos Sócios (ou os Sócios das orquídeas)

Em ambas as exposições a mesa das orquídeas dos sócios estava espectacular, e vi muitas plantas raras, bonitas e bem cultivadas. Para mim, mais interessado em espécies e outras esquisitices, gostei mais da da exposição de Santa Clara, mas a de Oeiras tinha muitas plantas como as que se podem comprar normalmente em Garden Centers que, apesar de algumas serem filhas de pais incógnitos, eram bonitas e estavam bem cultivadas.

O mau
O que me impressionou negativamente foi a pouca disponibilidade mostrada pelos orquidófilos do Sul (incluindo Lisboa) para contribuir com as suas plantas para a exposição.
Ao que sei isto aconteceu em ambas as exposições.
Percebo que não é fácil levar plantas em flôr para uma exposição: a minha colecção é ainda muito pequena, e a minha possível contribuição teria sido um Bulbophyllum com flores que fecham às 9.30 da manhã...
Provavelmente muitos orquidófilos do Sul terão o mesmo problema, mas as coisas têm que melhorar!
Há muito orquidófilos no Sul do País, e o Algarve (por exemplo) não fica mais longe de Lisboa que o Porto. É um pouco absurdo criticar uma exposição porque tinha poucas plantas e, ao mesmo tempo, recusarmo-nos a contribuir com as nossas.

O bom
Muitas plantas vieram do Norte para as exposições, e, enquanto visitante de ambas, fico agradecido a quem se prestou a trazer as suas preciosidades e a fazer trezentos quilómetros ou mais para que eu as pudesse apreciar.
Foi por "cagança"? Talvez... mas garanto-vos que eu só não sou também vaidoso porque não tenho razões para isso.
Tenho, isso sim, admiração por quem tem colecções suficientemente importantes para contribuir com tantas coisas lindas. Lindas e bem cultivadas. 
Tenho admiração e tenho inveja. Mas é uma inveja positiva, a inveja que todos devemos ter quando vemos que é possível fazer as coisas melhor que nós e que, assim, temos a possiblidade de aprender a fazer melhor e progredir no hobby.


Amargos de Boca

Eu sei que há dois clubes que se reclamam de âmbito nacional,e que estão, neste momento, sediados em Lisboa e no Porto (ou no Porto e em Lisboa).
Não vejo mal nenhum nisso.
Também sei alguma coisa da história de ambos, de alguns dos acontecimentos passados e dos seus protagonistas .
Sei, mas não me interessa!

Temos que detestar os Espanhóis porque nos invadiram um ror de vezes, os Franceses por causa das invasões napoleónicas, os Ingleses por causa do Ultimato, os Chineses por causa dos mandarins de Cantão, os Japoneses pela perseguição aos missionários, os Brasileiros porque declararam a independência, etc., etc....
Temos que os detestar a todos, e passar o nosso tempo a ruminar os insultos do passado, como o vómito amargo que nos sobe à garganta.
Se querem ir por aí: Boa Viagem!
Eu fico.



Vale!


Disclaimer: Nunca, nas muitas vezes que fui à Casa Aleixo os filetes de polvo me fizeram azia. São outras coisas...







Saturday, December 2, 2017

Já se vê alguma coisa...

Prazos, previsões e outros arcana


Uma questão de Linguística


Nas minhas conversas com o meu amigo serralheiro descobri um idioma que não conhecia: o Obrês! Estou a começar um dicionário de expressões Português - Obrês e já tenho duas entradas: 
"amanhã, de certeza"em Obrês significa, em Português, "talvez na próxima semana".
"na próxima semana" em Obrês, quer dizer, em Português "talvez no mês que vem".
Senhor! Dá-me paciência para os aturar, que se me dás força...

A instalação da estrutura metálica

A primeira parte está feita: o prolongamento vertical das paredes, que me vai dar um pé-direito de 3,0 metros à frente e 3,25 atrás, e que já inclui as quatro janelas de ventilação no topo traseiro, e a estrutura central em cruz que vai suportar o telhado, apesar de o vão ser de mais de oito metros.
A barra transversal na estrutura do telhado marca o sítio onde vai ficar a divisória interior (vai haver uma secção aquecida e outra não aquecida).

Aqui vão as fotos:





O que falta:

Ainda esta semana (eu sou mesmo crédulo...) serão instaladas as barras no telhado que servirão para fixar as placas de policarbonato de 16mm.
Quanto o telhado estiver pronto será instalada a estrutura final das paredes laterais e os detalhes finais.
Enfim: o plano é este...

Até agora:

Estou a ficar muito satisfeito: a estrutura está a ficar bem robusta. Poderá não aguentar o impacto directo de uma bomba nuclear, mas penso que suportará bem as "brisas" do Sobral (a diferença não é muita)!
Fiz bem em seguir os conselhos que me deram (Obrigado Amigos José Elísio e Rafael) e aumentar a altura : o meio metro adicional vai dar um jeitão para as suspensões, e o maior volante térmico vai fazer as subidas e descidas de temperatura serem muito mais graduais.
Trinta e seis metros quadrados, dois terços aquecidos e o resto sem aquecimento.

Chiça, que nunca mais está pronta!!!

Para mudar de assunto, e depois de visitar duas exposições/feiras de orquídeas, no próximo post vou falar-vos de filetes de polvo.
Até lá,

Vale!




Wednesday, September 13, 2017

1ª Exposição Internacional de Orquídeas da Minha Rua (Lado Poente)


Este post é uma provocação...


Naturalmente que não pretende ofender ninguém, mas tem a clara intenção de criticar as decisões que se arriscam a criar uma situação negativa para todos os orquidófilos portugueses e para a orquidofilia em geral no nosso País.
Poderá parecer estranho (ou censurável) que um neófito venha pôr em causa o status quo e, por isso, quero esclarecer uns quantos pontos que ajudarão a compreender a minha posição.
Recomecei a criar orquídeas há poucos meses.
A palavra fundamental é "recomecei". Tive uma colecção bem simpática (para a época) no fim dos anos 70 e 80. Não sou um absoluto principiante, e, na minha opinião, até os pontos de vista dos principiantes merecem atenção: é de entre os principiantes de hoje que sairão os orquidófilos experientes de amanhã, e, se não tivermos atenção às necessidades que sentem perderemos a capacidade de atrair mais gente para esta actividade.

É evidente que vos quero expôr as minhas reflexões sobre o actual panorama das reuniões/feiras internacionais de orquídeas em Portugal.
Vamos a isso!


O que é importante para a Orquidofilia


Divulgação

É muito importante que a orquidofilia, como hobby, seja divulgada. Muitas pessoas se poderiam juntar a nós se tivessem conhecimento de como é fácil (vá lá: razoavelmente fácil...) criar orquídeas em quase quaisquer condições.


Informação

Os orquidófilos precisam de estrutras onde possam trocar informações. É assim que todos nós progredimos: é indispensável ler, mas nem todos os livros e sites têm a mesma utilidade, e um confrade que nos aconselhe um bom livro faz-nos um grande serviço!
Para além de ler, o contacto directo com quem já tem experiência é precioso para os nossos sucesso e evolução como orquidófilos: é no contacto directo que se aprendem aquelas coisas que nenhum livro é capaz de explicar, desde as técnicas que se aplicam às nossas condições locais de cultivo, até aos próprios "trabalhos manuais" envolvidos.


Disponibilização

Para além da troca de informações um orquidófilo precisa de uma outra coisa: ...isso! Orquídeas!
E onde as conseguir?

Disponibilidade de orquídeas em Portugal

Diz-se que é a procura que gera a oferta e eu juraria por este princípio antes de começar a trabalhar. No entanto, trinta anos de marketing operacional e estratégico deixaram-me algumas dúvidas.
Quando comecei nestas coisas das orquídeas todos tínhamos as mesmas plantas: vinham todas (ou quase) da Madeira (muitas carregadinhas de vírus) e resumiam-se a meia dúzia de "Paphs" (espécies e híbridos primários), híbridos de Cymbidium com mais de cinquenta anos de feitos, meio ranhosos e sempre filhos de pai e mãe incógnitos, SobraliasStanhopea "wardii", Phragmipedium caudatum e Grande e chega.
As plantas não se vendiam: traficavam-se! Poucos anos após a revolução, a maior parte das pessoas ainda viajava pouco, e, tirando os safaris a Badajoz para comprar Coca-cola, caramelos e pyrex, ia-se com mais facilidade a Londres que ao Funchal.
Os orquidófilos eram muito poucos, mas, nestas condições, como se poderia esperar que fossem muitos? Ninguém procura o que não sabe que existe...

As orquídeas da feira

Hoje não é assim! Vendem-se orquídeas nos supermercados, nas feiras, nas praças e nas floristas mais escondidas. Bem bonitas, bem boas e bem baratas.
É verdade que a orquidofilia perdeu uma grande parte do glamour que então tinha: não há hoje ninguém que vá a minha casa e que não diga: Ah! Orquídeas! Também tenho umas lá em casa...
É entre este (agora) enorme grupo de gente que vão surgir aqueles que se vão interessar mais e mais pelas orquídeas, procurar informação sobre elas e, gradualmente, procurar as que não se vendem na feira: são os orquidófilos do futuro. 

As compras na net

A internet é um fenómeno recente e é possível que alguns de nós ainda não se sintam à vontade com este meio para fazer as nossas compras, mas não há nada de novo debaixo dos céus: antes da net havia a compra pelo correio...
O AOS Bulletin tinha (à maneira Americana) todos os anúncios concentrados num único bloco de páginas (eram as primeiras que eu lia!). Qualquer viveirista no estrangeiro publicava um catálogo anual (e às vezes Newsletters) que enviava a todos os clientes antigos.
O processo era "simples":
  1. arranjar forma de receber os catálogos
  2. escolher o que se queria
  3. pedir ao fornecedor uma factura pro-forma
  4. com essa, ir ao banco e pedir um cheque em moeda estrangeira
  5. enviar o cheque ao fornecedor
  6. esperar...
  7. esperar...
  8. esperar...
  9. ir aos Correios, onde a encomenda era aberta a golpes de canivete, e tentar convencê-los que as plantas não eram para comércio
  10. se o total da encomenda ultrapassasse um determinado valor era preciso pagar a um Despachante Oficial para tratar das coisas com a Alfândega
  11. Pagar as taxas aduaneiras que eram decididas "a olho" pelo funcionário da dita
  12. Rezar no caminho para casa para que as plantas ainda estivessem vivas e recuperáveis.

Levava meses...

enfim... those were the days!

As compras à distância sempre existiram, mas poder ver a planta que se está a comprar é outra coisa!


A importância dos comerciantes especialistas nacionais

Curiosamente sempre gastei mais quando ia ao estrangeiro e visitava um produtor do que nas compras pelo correio: é que na estufa eu VIA realmente as plantas, tocava-lhes, cheirava-as, sei lá...
Em Portugal não podia fazer o mesmo.
Hoje posso!
O contacto directo com o vendedor é precioso: ele dá-nos informações sobre o que pretendemos comprar que não é fácil conseguir pela net. Desde logo porque um comerciante em Portugal tem tempo para nos perguntar em que condições podemos ter as plantas e sabe como aquela planta específica se comporta nas nossas condições. O fornecedor estrangeiro sabe o que é necessário fazer na Holanda, ou Alemanha, ou Inglaterra...
É verdade que nenhum comerciante em Portugal consegue ter a variedade de oferta dos grandes potentados alemães ou holandeses, mas cá nós vemos realmente o que pretendemos comprar: não há surpresas a abrir a caixa (mas onde raio é que isto é flowering size???).


Os comerciantes internacionais

Pois, que inveja... morar na Alemanha, na Holanda, em Inglaterra e poder ir a um viveirista com centenas ou milhares de orquídeas como quem vai ao café...
Mas temos uma oportunidade nas exposições realizadas em Portugal e que conseguem atrair viveiristas estrangeiros!
Porque será que eles cá vêm?
Porque alguém na organização das exposições, com grande mérito (e esforço), os "melgou" até aceitarem vir, e por uma outra razão mais de pormenor:
o dinheiro...
Os seus custos de participação são superiores aos dos comerciantes nacionais e, além da sua margem de lucro normal, as vendas que eles esperam obter têm que os pagar: viagem, estadia, aluguer do espaço.
Se as vendas correrem bem, voltam; se não: Adeus!

A participação de comerciantes internacionais tem várias vantagens:
Torna mais fácil divulgar o evento nos meios de comunicação, mobiliza-nos mais pela esperança de nos conseguirmos ver livres de mais uns Euros, dá-nos a todos acesso a espécies ou híbridos mais raros (ou mesmo inexistentes) nos comerciantes e colecções nacionais, e permite até aos comerciantes nacionais adquirir plantas que antes não tinham e que, depois de propagadas, irão gerar vendas no futuro.


Os Clubes

Em Portugal existem dois clubes (que eu saiba).
Por si só, este facto não me preocupa. Até acho saudável, como acharia que houvessem grupos de interesses especiais (por exemplo de orquídeas terrestres, Catasetinae, miniaturas, orquídeas "frias", etc.) desde que fossem grupos "sérios": só para dizermos uns aos outros que as plantas são lindas, fofas, etc. não me parece que valha a pena.
Na minha opinião a existência de vários clubes não é um problema per se. Mas não digo o mesmo quanto às suas políticas...
Considero que o trabalho feito pelos clubes (e grupos da net) nos campos da Divulgação e Informação é globalmente bom ou muito bom. Já quanto à sua influência na Disponibilização de orquídeas, a situação parece-me diferente.
Mas analisemos a situação actual:

A situação actual


  • As exposições são organizadas pelos clubes de orquidofilia
  • Nos últimos poucos anos tem-se verificado uma redução do número de entradas nas exposições.
  • Não houve uma redução do número de exposições.

As consequências a esperar

Em trinta anos de vida profissional colaborei (ou liderei) na organização de dezenas de congressos, simpósios e reuniões de vários tipos, alguns com centenas ou milhares de participantes; enquanto gestor em empresas expositoras, analisei e decidi em cada ano a participação (ou não...) em dúzias de congressos, simpósios e reuniões.
Conheço o mercado e os vendedores internacionais; um amigo próximo é "dealer" internacional de objectos de colecção e desloca-se todos os anos a várias reuniões quer na Europa quer nos EUA. Tem o seu "programa de festas" e vai a umas exposições, mas não a outras. As nossas conversas são, frequentemente, sobre os prós e contras da sua participação nesta ou naquela exposição. Conheço o ponto de vista de quem vende, e, bem vistas as coisas, não é difícil de compreender.

A crise económica nos países desenvolvidos reduziu muito as vendas dos comerciantes de bens que não são de primeira necessidade (para as pessoas normais), e a actual situação das exposições no nosso País parece ameaçar uma espiral viciosa:

  • Menos assistência > menos vendas para os comerciantes
  • Menos vendas > menos comerciantes estrangeiros a voltar
  • Menos estrangeiros > menos assistência
  • e por aí adiante.


Proposta de estratégia

Esta envolve os clubes.
Em vez de promover a proliferação de pequenas exposições, cada vez com menos capacidade de atrair comerciantes, quer estrangeiros, quer nacionais, têm que conjugar esforços e, para além de inciativas de âmbito local ou regional, promover apenas uma ou duas exposições realmente internacionais ao longo do ano, ambas envolvendo os dois clubes.
Deverão, naturalmente, manter a sua individualidade, e as características que os distinguem, mas, nesta situação, não há espaço para penis envy: apenas o empenhamento simultâneo de ambos os clubes garantirá grandes exposições, com tendência para crescer e capacidade para se imporem no calendário de viagens dos comerciantes internacionais.
Todos os Orquidófilos inscritos em qualquer dos clubes (e quantos estão em ambos?) têm o direito de exigir isto aos seus dirigentes eleitos.
Dirigentes eleitos, repito.
Esses dirigentes terão que ser capazes de pôr de lado conflitos de ego e diferenças de opinião e trabalhar conjuntamente neste ponto a favor da Orquidofilia em Portugal.
Mau serviço prestarão se não o conseguirem.
Os associados dos clubes terão, igualmente, de esquecer as razões, normalmente irrelevantes ou mesmo infantis, que os levaram a afastar-se de uns e aproximar-se de outros.
Não pode haver a exposição "deles" e a "minha" exposição.
Não há alternativa...

Já agora, permitam-me uma farpa em jeito de despedida: pôr os comerciantes internacionais ao relento e os nacionais a coberto numa exposição que se realiza em época em que é provável que chova, parece-vos uma boa maneira de dizer aos estrangeiros que queremos que eles voltem?

Porque queremos! ...ou não?


Vale!









Sunday, September 3, 2017

A minha estufa (Parte 3) Obras de alvenaria prontas!

Finalmente!

Se bem se lembram, a estufa está a ser construída no local onde já estava uma construção pensada originalmente para outro fim (vejam o post de Julho "A minha estufa (Parte 1) Implantação").
Esta construção original tinha que ser muito modificada, e as obras de alvenaria acabaram ontem à tarde.
O cimento ainda não secou!

Todas as paredes interiores foram demolidas, deixando apenas as exteriores, e o chão foi aumentado até aos limites definitivos da estufa.
Será sobre estas paredes que assentará um "chapéu" em estrutura metálica que será forrado com placas de policarbonato.



Mais luz!!!

Ficou registado que as últimas palavras de Goethe antes de morrer foram um pedido:
Mehr licht!

Depois de muito pensar, e ouvidas as opiniões de vários amigos mais experientes nestas coisas, foi parcialmente demolida a parede voltada a Sudoeste, que passará também a ser em policarbonato.
Por um lado isto cria um problema, que me foi imediatamente apontado: com iluminação lateral lá terei muitas plantas a espreitar para o vizinho, porque, crescendo na direcção da luz se vão inclinar para o lado; no entanto, penso eu, traz um aumento da luz que entra durante a tarde, o que será uma vantagem, especialmente no Inverno.

A luz é o factor mais importante numa estufa como a minha, construída num local muito pouco adequado: é possível aumentar a temperatura instalando aquecimento; é possível aumentar a humidade com um humidificador ultrassónico; é muito difícil arrefecer a estufa e ainda mais difícil aumentar a luz que entra. Vou tentar aproveitar qualquer oportunidade que tenha para satisfazer o pedido do primo Johan Wolfgang...



O preço a pagar...

Junto a esta parede, agora demolida, está uma tangerineira, que faz bastante sombra. A pobre ainda não sabe, mas vai transformar-se em espécie migratória e mudar de sítio! É sempre arriscado tentar transplantar árvores estabelecidas, mas os citrinos e as oliveiras são as árvores que mais frequentemente se transplantam (basta ver a quantidade delas que aparecem à venda em grandes contentores nos Garden Centers mais caros...).
Vou aplicar tudo o que aprendi para garantir que a bicha sobrevive. É um projecto por fases e vai levar dois anos.
Aqui estão as fotografias do resultado das obras:




Aqui olhamos para Nor-Nordeste. À direita da estufa vê-se a capoeira e, ao fundo, um buraco de 1,0m x 0,40 m que será um respirador, para admissão de ar frio.
Vejam o volume da sebe de loureiros: tira um pouco de luz de Nascente e terá que ser podada, mas conto com ela para proteger a estufa dos ventos de Norte.



Aqui, a parede voltada a Sul-Sudoeste de que falei e que não era originalmente para ser demolida.
O muro de base, com cerca de 0,75m, é necessário porque este espaço foi cortado no terreno e por trás está terra. Mesmo em frente vê-se a tangerineira de que vos falei e, à direita, um pessegueiro; o pessegueiro é alto e faz algum ensombramento ao fim da tarde, mas, sendo de folha caduca, não vai cortar muita luz no Inverno, altura em que ela é mais necessária.
À esquerda vemos o murete de apoio para a estrutura metálica, com 0,25m, e o espaço para a porta de entrada. A porta terá 1,40m em duas folhas, para se poder entrar e sair sem perder muito calor, mas, abrindo ambas as folhas, ter acesso para objectos volumosos.


Size matters...

As dimensões internas são 8,40m x 4,40m: Trinta e sete metros quadrados!
É desta que eu vou ter um Grammatophyllum...

O que acham? As vossas opiniões são preciosas...


Vale!


Tuesday, August 1, 2017

A minha estufa (Parte 2) Organização exterior

Planos, planos e mais planos...


Admito que, para mim, fazer planos é uma satisfação! Para além do prazer, ajuda-me a pensar as coisas com mais atenção, a antecipar possíveis contratempos e a tentar evitá-los, em vez de ter que os tentar resolver depois das coisas já construídas.
Neste post vou apresentar-vos o aspecto exterior da estufa, com alguns comentários sobre as escolhas que fiz.
Mais uma vez: as vossas opiniões e sugestões são muito bem vindas. 

Só para lembrar, voltemos ao plano original da implantação:



A implantação da estufa



A estufa fica com paredes de cimento a Noroeste e Nordeste, direcções em que o acesso da luz está bloqueado por árvores e pelo relevo do terreno.
Pensava eu que a parede voltada a Sudoeste também ficaria em cimento, mas entretanto o projecto evoluiu porque percebi que posso transplantar uma tangerineira que bloqueava a luz dessa direcção e fazer a parede em policarbonato, aumentando muito a entrada de luz, especialmente no Inverno.
Vejamos como fica, parede por parede:


A parede do fundo (Noroeste)





Esta parede feita em cimento já existe. Tem, agora, 2,35 m de altura. Vai, no entanto, ser aumentada até aos três metros de altura pela adição de uma estrutura metálica que vai ser forrada a placas de policarbonato.
O objectivo não é aumentar a entrada de luz: a parede fica voltada a Noroeste, e, por trás desta parede, está um maciço de arbustos altos. Permite-me, no entanto, instalar quatro ventiladores: janelas de báscula com as dobradiças em baixo e a abrir para fora, que permitirão deixar sair o ar mais quente. Visto que o telhado da estufa tem só uma água, este é o ponto mais alto do interior, onde o ar quente se acumulará. Dois deste ventiladores serão manuais e os outros dois com actuadores automáticos.
O aumento da altura total da estufa dá-me também outra vantagem: mais espaço para pôr em suspensão as plantas que precisam de mais luz sem andar sempre às cabeçadas aos vasos!
Nesta parede existe já um painel de 1,40 m por 1,0 m feito em tijolo da vidro. Este foi feito logo de início, e aproveita uma "nesga" entre as árvores para deixar entrar mais luz.


A parede lateral Nordeste




Esta é outra das paredes já construídas em cimento. Não perco muita luz pois está tapada por árvores, e, junto com a parede de Noroeste, protege a estufa dos ventos frios do quadrante Norte.
A única alteração que será feita é a abertura de um respirador com 1,0 m por 0,40 m no local indicado. Este canto da estufa aponta directamente a Norte e fica numa zona sombria; será nessa zona que o ar estará menos quente durante o Verão. Este respirador (e outro do mesmo tamanho na mesma zona mas na parede voltada a Sudeste) permitirá a entrada de ar frio e melhorará a circulação de ar dentro de toda a estufa nos dias mais quentes. Será fechado por porta de correr e ficará protegido por rede mosquiteira em inox para evitar a entrada de indesejáveis...


A parede Lateral Sudoeste




Pensei que esta parede teria que ficar em cimento, pois está enterrada e semi-tapada por árvores. No entanto, o canto direito desta parede fica voltado a Sul, e perdia imensa luz da tarde...
Transplantando uma árvore que tapa esta direcção posso demolir parte da parede e refazê-la em policarbonato, como grande aumento da luminosidade na estufa. É o que o desenho mostra.


A parede frontal (Sudeste)




É a parede principal:
Fica voltada a Sudeste e, a seguir ao telhado (todo em policarbonato), será a principal fonte de iluminação. Terá 2,5 m de altura.
O desenho mostra a divisão do espaço interior em duas secções, uma fria e outra aquecida. Será uma divisória em estrutura metálica com uma porta de 2,0 m por 1,20 m com duas folhas. Optei por pôr a secção aquecida do lado esquerdo (Sul) da estufa pelo seguinte raciocínio: se fica aquecida as plantas que lá ficarem terão maior actividade metabólica, o que torna recomendável que tenham mais luz; ora é este lado da estufa que terá sempre mais luz pelo que...
A porta também fica nesta secção. Compreendo que, sob o ponto de vista das perdas de calor (e eficiência energética) isto seja pouco recomendável, mas o lado oposto da estufa fica a 70 cm da parede da capoeira, e eu preciso de uma porta larga apara o acesso de objectos volumosos... não é o ideal, mas é o possível. No Inverno só abrirei meia porta! Eu também já andava a precisar de perder peso...
Quase toda esta parede será em policarbonato, com a excepção de uma secção em cimento do lado direito (em riscado diagonal), que já está construída. Como essa será a zona mais sombria não perco muita luz e poupo no policarbonato. Será aí que instalarei a bancada de trabalho. 
Para promover a circulação do ar haverá vários respiradores nesta parede, todos instalados rente ao chão, onde o ar estará menos quente: na secção em cimento haverá outro respirador igual ao que mostrei na parede Nordeste e na secção aquecida uma fila de respiradores com 0,50 m de altura, com as dobradiças em cima e a abrir para fora. Mais uma vez, usarei a rede mosquiteira nos respiradores para manter a bicharada do lado de fora.
posicionamento dos respiradores tem dois objectivos: em primeiro lugar (mas relativamente menos importante) vai permitir não estar a cortar as placas de policarbonato do telhado, aumentando a luz e a rigidez; em segundo lugar, vai (digo eu...) aumentar a circulação de ar dentro da estufa e impedir que atinja temperaturas muito altas durante o Verão. Todos sabemos que o ar frio é mais pesado e desce, e o ar quente é mais leve e sobe; nesta estufa a zona mais alta é a linha de encontro entre a parede de trás (Noroeste) e o telhado, pelo que será nessa parede, rente ao telhado, que ficarão instalados respiradores para facilitar a saída do ar mais aquecido; se o ar quente sai tem que entrar mais ar para o substituir dentro da estufa: é por isso que irei instalar outros respiradores rente ao solo, por onde entrará ar relativamente menos quente. Os respiradores "de entrada" ficarão na parede oposta aos respiradores "de saída" para criar dentro da estufa uma corrente de ar que ajudará a ventilação.

E, nesta altura, o plano é este. O que vos parece? Têm alguma sugestão para me ajudar? No próximo post vou descrever o equipamento de climatização que tenho planeado.


Vale!

Friday, July 28, 2017

Homenagem

Marcel Lecoufle


Em 1981, durante uma viagem de Interail, visitei pela primeira vez as estufas Orchidées Marcel Lecoufle, em Paris.
À entrada, duas plantas que até então só vira em fotografia, e para cujo impacto visual não estava preparado: Um Angraecum sesquipedale com quase 2 metros de envergadura de folha e meia dúzia de flores abertas ao mesmo tempo, e um Angraecum eburneum superbum ainda maior, com mais de uma dúzia de inflorescências de metro, cada uma com perto de uma dezena de flores.
Ainda hoje as vejo. 

Desde então, poucas foram as viagens a Paris que não incluíram a viagem de RER até Boissy-Saint-Léger, nos arredores de Paris, e o curto passeio desde a estação até às grandes estufas na Rue de Paris.
A última viagem, no fim de 2011, encontrou as estufas fechadas e um cartaz na porta principal

« Notre boutique et nos serres sont définitivement fermées. Nous vous remercions par avance pour votre compréhension et pour la confiance que vous nous avez témoignée pendant toutes ces années. »


As estufas de Marcel Lecoufle eram um labirinto onde cada bancada nos mostrava novas maravilhas e raridades. Tinha muitos funcionários, mas a presença permanente de Monsieur Marcel, da filha, Geneviève, e, mais tarde, da neta, Isabelle, tornavam a visita uma oportunidade de aprendizagem preciosa: ao contrário do que hoje frequentemente vemos, esta gente queria vender mas também ensinar, e ensinava mesmo, com uma cortesia e consideração que valeria a pena, hoje em dia, de imitar. Nunca faltou um sorriso.
Talvez ainda mais importante, só ensinavam o que sabiam, mas sabiam tanto...
Era um prazer dizer adeus ao dinheiro, e muitas terão sido as vezes em que, vindo de Paris, desembarquei na Portela com os famosos sacos de plástico com as letras verdes, ou, ainda melhor, com as caixas de cartão que eles preparavam com tanto cuidado e saber.



Marcel Lecoufle e Geneviève Bert
(na entrada das Orchidées Marcel Lecoufle)


Nascido ainda antes da Primeira Guerra Mundial, Marcel Lecoufle descendia de uma família de horticultores orquidófilos profissionais. Na sua busca de orquídeas para estudar e fotografar viajara por todo o Mundo, dando especial atenção à sua amada Madagascar e era O especialista em orquídeas malgaches em todo o Mundo. Era igualmente especialista em Bromeliaceae e plantas carnívoras, e sobre ambas publicou livros que são, até hoje, indispensáveis.

Presidente de Honra da Sociedade Francesa de Orquidofilia desde 1982, sempre mostrou prazer em acompanhar-me enquanto eu vagueava pelas estufas, esclarecendo, aconselhando, ensinando. Penso que achava graça àquele "miúdo" português que partilhava a sua paixão.

A morte da sua filha Geneviève em Julho de 2011 tinha-o afectado muito, e, já antes disso, a redução da rentabilidade do que era uma grande empresa e a pressão das companhias de "desenvolvimento" imobiliário sobre o que eram vastos terrenos de enorme valor tinham criado problemas na família. As Orchidées Marcel Lecoufle fecharam em 2011, ao fim de 63 anos de actividade. Marcel tinha 98 anos.

Marcel Lecoufle faleceu em meados de Dezembro do ano passado.
sit tibi terra levis

Para quem tenha ficado interessado em Marcel Lecoufle recomendo um video em que define a sua paixão pelas orquídeas:
https://www.youtube.com/watch?v=JT_k8KyObt0

Porquê?

Porque visitei recentemente um horto onde fui tratado de forma completamente inversa em relação à descrita acima e onde, por isso, me lembrei das minhas visitas a Boissy.

E porque, apesar de ter acabado com a colecção há trinta anos nunca perdi a paixão pelas orquídeas; regularmente, lá comprava mais esta ou aquela para experimentar na janela da cozinha ou da casa de banho. Matei tantas...

Hoje estive em arrumações e limpezas pela estufa e encontrei uma coisa que me levou a escrever este post:



Vale!


Thursday, July 27, 2017

A minha estufa (Parte 1) Implantação

In a hole in the ground there lived a Hobbit greenhouse...


A minha estufa vai ficar num sítio que está longe do óptimo. Fica, no entanto, no único sítio em pode ficar, pelo que não vale a pena chorar sobre o assunto.
Em vez disso, no planeamento da sua construção e organização, tive em conta os problemas criados pelo local em que está/vai ficar implantada. As Vossas ideias e sugestões são bem-vindas e podem ajudar-me muito... Façam favor!

A "reconversão"


Como disse no primeiro post do blog, tive, em tempos, o projecto de criar coelhos e canários e, ao lado da capoeira das galinhas, comecei a construir um anexo para isso; pela razão também já falada esse projecto foi abandonado e, num canto do terreno, ficaram as paredes abandonadas para grande desgosto da minha esposa... São estas "neo-ruínas" que vão ser convertidas em Orchid House (fica sempre mais bonito em estrangeiro...).
Podem ver alguma coisa na foto abaixo:




Estamos aqui a olhar para Nor-Nordeste. A construção à direita, com telhado verde, é a capoeira, mas, o que vos queria mostrar, é que o sítio está rodeado de árvores.
Ao fundo vêem uma sebe de loureiros que tem hoje cerca de 8 m de altura. e vê-se que, por trás da construção há mais árvores. O que não se vê, e é importante, é que as paredes estão construídas num "buraco": atrás da parede do fundo do lado esquerdo o terreno tem cerca de 1,5 m de altura, e está plantado con arbustos que atingem uns 6 m de altura em relação ao chão da construção. Apesar de essa parede do fundo estar voltada a Noroeste, dali nunca virá luz nenhuma.
Apesar de reduzir muito a luz estas árvores têm uma vantagem: protegem o sítio dos ventos frios do quadrante Norte, o que será importante para a manutenção da temperatura no Inverno.
Se repararem bem, vêm que o local onde está o "fotógrafo" também é sobre-elevado em relação ao chão da construção. Aqui o desnível vai desde cerca de 1 m à esquerda até cerca de 60 cm à direita.
Uma última coisa que se vê na fotografia é que a capoeira, apesar de ser em rede e com tecto translúcido, vai tirar bastante luz. É assim. Não há remédio. Vou ter que pensar que as plantas mais exigentes em luz têm que ficar concentradas na parte que fica mais próxima do sítio de onde foi tirada a fotografia (na zona da esquerda no desenho).

O plano do local


O desenho abaixo mostra o local e as construções actuais (também mostra que eu não conseguiria ganhar a vida como desenhador, mas isso são outros quinhentos.)
As paredes representadas a cheio manter-se-ão na estufa. As outras paredes serão demolidas.





A estufa...


O que farei será aproveitar ao máximo o espaço disponível.
Manterei, por razões óbvias, as paredes que suportam as terras, e construirei uma nova "parede" voltada a Sudeste. As paredes representados a traço simples serão num estrutura metálica coberta com placas de policarbonato alveolar de 10 mm tal como todo o telhado, que terá uma só água, correndo de Noroeste para Sudeste.
A parede representada em riscado diagonal será demolida desde o topo até cerca de 1 m acima do chão e, nesse espaço, levará um painel de policarbonato de 1,40 m de altura por 2,80 m de comprido, que vai ajudar a aproveitar melhor a luz da manhã durante o Inverno.
A parede da Frente (Sudeste) terá 2,5 m de altura, e a de trás (Noroeste) terá 2,8m.
A estufa ficará com uma divisória interior, e a área da esquerda será aquecida no para manter 16ºC de mínima.
O importante é que, não sendo perfeito, me vai dar bastante espaço!
Vejam:




E pronto! Fico por aqui e vou mas é reenvasar plantas, que isto dos computadores é muito bonito mas não dá flores (nem raízes).
No próximo post vou mostrar-vos o que penso fazer na construção para garantir uma boa ventilação.

Vale!

Sunday, July 23, 2017

Emergency! Emergency!

Como a falta de atenção nos prega partidas


Eu assumo: quando compro plantas sou fução (não é fussão pois não? fica tão mal...). O objectivo primeiro é tê-las "do lado de cá", que o resto pensa--se depois.

Vem isto à conversa por  causa de um Bulbophyllum corolliferum que comprei ontem: quando cheguei a casa e olhei para o vaso com mais atenção houve uns detalhes que me preocuparam.
Vejam bem:




Pseudobolbos enterrados no substrato? Hmmmm...
E estava desidratado. Como estamos de raízes?




Secas, e por cima do substrato. Aqui há gato e só há uma coisa a fazer: salta fora!



Tudo explicado: não estava enraizado (nem tinha alguma vez estado naquele vaso). Quase parecia que alguém tinha cortado uma ponta a crescer fora do suporte, posto num vaso e ala para a feira!


E agora?


Temos uma ponta de rizoma bifurcada com seis pseudobolbos (dos quais cinco com folhas), sem raízes operacionais mas com dois rebentos a começar a crescer. A planta está muito desidratada mas ainda é recuperável, penso eu.
O problema aqui é que é um Bulbophyllum, e a distância entre os pseudobolbos mostra que não precisaria de um vaso mas de uma banheira. Vamos montá-lo em suporte!
Eu sei que precisa de muita humidade, e o meu sistema de humidificação, nesta altura, é de tracção animal, mas parece-me a opção mais adequada à planta e a mais duradoura. Não queria estar a reenvasá-la a cada seis meses.


Montar em quê?

Tenho que montar a planta mas não tenho placas de cortiça. Tenho troncos de sobreiro com cerca de 8 cm de diâmetro e um resto de um vaso de xaxim que deve ser mais velho que a maioria dos meus hipotéticos leitores. Em ambos os casos usarei uma almofada de esfagno para assentar a planta. O que escolho?

O tronco de sobreiro aguentará muitos anos, mas é relativamente fino para a distância entre pseudobolbos desta planta: muitos dos crescimentos não se irão agarrar. Além disso não absorve água e irá exigir muitas pulverizações.
O xaxim é velho e irá degradar-se relativamente depressa mas, em compensação, absorve muita água e permitirá uma humidade mais elevada à volta da planta, que não tem raízes funcionais. É mais "plano", pelo que permitirá que mais novo crescimento se fixe.

Avança o xaxim!


A montagem





A desgraçada da planta, o bloco de xaxim já com arame para pendurar, "U"s de arame plastificado, esfagno húmido, etiqueta, ferramentas... parece que não falta nada!

Como o bloco é bastante grande e a planta tem um rizoma bem acessível, decidi não a amarrar. Dobrei uns "U" em arame plastificado que, metidos pela frente, vão furar o xaxim de ambos os lados do rizoma e, torcendo-os na parte de trás, segurá-lo ao seu suporte. Também se consegue fazer isto com cortiça: basta uma broca fininha para madeira e já está! Evita o fio de pesca (eu até gosto de pesca, mas isto são orquídeas, não são achigãs).

O esfagno também não foi amarrado: fica entalado por baixo do rizoma e  e prende-se depois, empurrando-o com um lápis para ficar preso entre as fibras do xaxim.
Comecei pela ponta mais antiga do rizoma e fui-o prendendo com os arames, ajeitando gradualmente a posição dos dois ramos.
Prendi a etiqueta ao arame de suporte, encharquei bem toda a montagem et voilà!



O que acham? Não fiquei muito envergonhado com os resultados (há trinta anos que não fazia uma destas...) mas os vossos comentários serão uma grande ajuda!


Reflexões...


Olhando para a planta parece-me que não vai levar muito tempo até este suporte ser insuficiente, mas já estou a pensar num cesto de rede onde este bloco de xaxim vai encaixar...

Vale!

Os Catasetum

in illo tempore...


Houve um tempo em que não havia net. Eu sei porque me lembro!
Nesses tempos arcaicos, o American Orchid Society Bulletin (hoje Orchids) era a Bíblia dos orquidófilos. Tinha um problema: American...
Nos anos 80 a situação económica era muito difícil, e os dólares eram mais raros que dentes de galinha, pelo que assinar o Bulletin estava fora do horizonte do comum dos mortais. Acontece que eu tinha um amigo que recebia o Bulletin. Mais: emprestava-me cada número para eu me babar à vontade.

No princípio dos anos 80 houve um número em particular (qual teria sido?) que trazia na capa uma coisa nunca vista: um Catasetum que tinha recebido um AM/AOS! Era o Catasetum Orchidglade 'Jack of Diamonds', um clone de um cruzamento (C. pileatum x C. expansum) registado pelos criadores (Jones & Scully) em 1974.
Fiquei siderado: nunca tinha visto uma coisa daquelas e imaginei as flores do tamanho de pratos rasos; vá lá: de sobremesa. De qualquer forma era espantoso! E a côr? Lúbrica! E a forma? Aquele labelo era uma coisa perfeitamente obscena... 
Apaixonei-me.


e agora:


Quando recomecei a pensar nas orquídeas fui investigar e, qual não é o meu espanto, descobri que não só se continuam a descobrir novas espécies e a re-descobrir as "perdidas", como se fazem grandes cruzamentos e se conseguiram inter-genéricos brutais.
Até ao mês passado nunca tinha visto nenhuma planta deste grupo sem ser em fotografia. Mas o bichinho cá estava... 

Mandar vir plantas de fora da UE é practicamente impossível, mas, enquanto surfava pelos sites dos hibridistas de Catasetinae e trocava umas mensagens deparo-me com uma oportunidade de ouro: um vendedor de Taiwan arranjava portador para cá! Perdi-me... Eu juro que queria mandar vir tudo, mas parece que o portador precisava de espaço na sua bagagem para trazer pasta de dentes, cuecas e outras banalidades, pelo que tive que me restringir à miséria de 17 plantinhas.

Estavam as ditas cujas em trânsito quanto visitei pela primeira vez o Senhor Rafael Santos e vi o meu primeiro Catasetum "in the flesh". As flores não são do tamanho que eu imaginava, mas são intrigantes! E cheiram!
Estou desgraçado com eles...


Os meus Catasetum


Quais foram as plantas que vieram? Eu digo:

Catanoches Jumbo Chastity
Catasetum Bound for Glory 'Jumbo'
Catasetum Jumbo Babylon
Catasetum Orchidglade 'Jack of Diamond' AM/AOS
Catasetum Penang 'Love Song'
Catasetum pileatum 'Jumbo Green Gold'
Catasetum pileatum 'Red Pena' HCC/AOS
Catasetum Susan Fuchs 'Mars'
Catasetum tenebrosum 'St. Francis' AM/AOS
Clowesetum Jumbo Glory 'Jumbo Orchids'
Clowesia Jumbo Grace
Cycnoches Chloroge 'Everglade'
Cycnoches Jumbo Dragon 'Jumbo Green'
Cycnodes Wine Delight 'J.E.M.' FCC/AOS
Fredclarkeara After Dark 'S.V.O. Black Pearl' FCC/AOS
Fredclarkeara Jumbo Susan
Monnierara Jumbo Delight

São todos plantas pequenas mas, apesar de terem todas vindo em crescimento e terem viajado no porão já cá estão há duas semanas e estão a recomeçar a crescer. Só a Clowesia é que perdeu as folhas, mas, com alguma sorte, pode ser que se lembre de dar um novo crescimento este ano.

Aqui vai uma fotografia do dia em que chegaram (a pobre Clowesia já estava a ficar com as folhas muito amarelinhas...):



Irei dando notícias deles.

Vale!