Sunday, March 18, 2018

Visto e ouvisto (com estes que a terra há-de comer...)

Crime scene

Um Garden Center, uma cliente, o responsável pelas orquídeas e yours truly como testemunha involuntária.
(Nomes fictícios para proteger a identidade dos protagonistas)

O diálogo 

A cliente: 
- Ó João Luís: a minha Cattleya pimpampum (era uma espécie das que são um pouco menos fáceis) morreu. 
Já é a segunda que me morre.

O responsável:
- Ó Dona Pulquéria, não há problema:
manda-se vir mais!

Análise da cena

A situação ilustra um problema frequente:
"Não tenho jeito para Masdevallias (ou Catasetums, ou outra coisa qualquer). Estou farto de tentar e morrem-me sempre".

Uma frase frequentemente atribuída a Albert Einstein (mas não confirmada) diz que ele definia loucura como "fazer repetidamente a mesma coisa e esperar resultados diferentes".
Se eu não sei como fazer qualquer coisa que desejo, então tenho que ir aprender antes de tentar.
Será que só a mim é que isto parece evidente?

A heurística...

Uma palavra esquisita para um conceito muito simples:
Se eu preciso de informação, onde a hei-de procurar?

Da mesma forma que, se tiver um problema na canalização, não me serve de muito ir fazer perguntas ao farmacêutico, também, neste nosso caso das orquídeas, não ganho grande coisa em ir recolher a opinião de pessoas que têm resultados tão maus comos os meus ou que nunca tiveram experiência com a minha planta-problema. E isto apesar de essar pessoas estarem frequentemente empenhadíssimas em dar a sua "opinião" (o Google faz maravilhas...).

A estratégia que eu proponho é identificar quem cultiva bem as plantas que me dão problemas e, depois, pedir a sua ajuda.
Não é perguntar em que sítio as tem nem que substrato usa: é contar o meu problema, as minhas (más) experiências, descrever as minhas condições de cultura e procurar conselhos para resolver o problema na minha situação específica.


Outras estratégias

Reconheço que há outras opções, e confronto-me frequentemente com dois tipos de abordagem, que designo genericamente por "técnica da raspadinha" e "se Deus quiser".


A raspadinha

Ao que me dizem (eu não jogo), há horas felizes!


Parece-me, no entanto, ilógico pensar que, continuando a comprar as mesmas plantas que sempre consegui matar, uma delas sobreviva só "porque sim".
Se eu reconheço um problema (Não sei o suficiente para manter estas plantas) parece mais sensato ir aprender mais antes de tentar outra vez.


Se Deus quiser

Eu sei: a Fé move montanhas, e tudo o que pedirmos nos será concedido...


Uma vez mais, nada referindo a Doutrina acerca dos conhecimentos orquidológicos da Mãe de Deus, não acho que mesmo uma peregrinação a Fátima augure nada de bom para aquelas plantas que nunca fui capaz de manter vivas.
Proponho que se tente aprender com quem realmente sabe antes de se ir incomodar Deus Pai com ninharias.

Conclusão

Cada um sabe das suas finanças, mas cada planta que matamos é uma planta que sai do mercado, e que deixa de estar disponível para outros orquidófilos que, por saberem mais que nós, conseguiriam cultivá-la.
Eu gostaria de fazer uma pergunta à cliente da história (verídica) referida no ínicio. Seria assim:

- Senhora Dona Pulquéria: como se define enquanto orquidófila? Acha-se uma principiante? Uma orquidófila experimentada? Uma especialista?
Estou certo de qual seria a resposta:

- Não! Eu sou um serial killer!

Termino com outra citação, esta sim, confirmada, de Albert Einstein:

"Só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana; e ainda não estou completamente certo quanto ao Universo".


Post scriptum

Fiquei surpreendido por o responsável pelas plantas que, hipoteticamente, deverá saber o suficiente para poder ensinar, não se ter esforçado por esclarecer o que tinha realmente acontecido às pobres defuntas, nem tentado perceber em que condições eram mantidas, quais dessas condições poderiam ser responsáveis pelos óbitos sucessivos e que medidas se poderiam tomar para evitar futuras fatalidades.

Haja dinheiro!



Vale!

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