Sunday, July 23, 2017

As voltas que o Mundo dá...

O que é este Blog


Quem sou

Um jovem geronte de 59 anos, que vive no Velho Oeste com esposa, filho nos dias de sorte, uma cadela, seis gatos e um bando de galinhas cuja dimensão varia de acordo com as necessidades gastronómicas.

In principio erat verbum...

O meu interesse pelas orquídeas nasceu nos finais dos anos 70 (do século passado...) quando, jovem estudante de Biologia à procura de plantas para identificar para a disciplina de Sistemática, encontrei uma Ophrys apifera no Outeiro da Cabeça (o karma do "Wild, Wild West"). Para mim, à época, orquídeas eram os "sapatinhos" que vinham da Madeira no Natal para oferecer à Mãe e os híbridos espectaculares de Cattleya cujas flores apareciam à venda numa florista minúscula da Rua Garrett, em Lisboa, no dia em que o Rei fazia anos.

Podia ter tudo ficado por ali, mas, por coincidência, um dos professores na Faculdade de Ciências (Saravá, Luís!) era um verdadeiro especialista em orquídeas ornamentais e soube despertar em mim um interesse que levou a uma pequena estufa em casa dos Papás e uma colecção generalista.
Depois acabou-se a Faculdade, veio o mundo a sério e a colecção morreu nos fins dos anos 80...

Regresso ao Futuro

Ao fim de várias peripécias dou comigo reformado.
Acontece que bebo pouco e não tenho jeito para jogar às cartas no jardim com os outros reformados do burgo, pelo que se tornava indispensável encontrar alguma coisa que me salvasse da morte cerebral, um dos riscos da minha nova situação.

A colecção de orquídeas tinha morrido, mas o interesse não, e ainda havia umas quantas cá por casa: uma Epilaelia (acho eu...) cuja origem já tinha sido esquecida e que ainda hei-de identificar (um dia... quando fôr mais novo...), umas Phalaenopsis dessas que hoje se vendem nas praças e em floristas grotescas mais ou menos como noutros tempos se vendiam os mangericos, e até já por lá tinham passado algumas dessas criaturas que, numa abordagem sistemática declaradamente sui generis, são hoje chamadas de "Cambria Mix"...

A minha casa é antiga, tem pouca luz, e o sítio onde vivo (no limite do concelho de Torres Vedras, a 2km do Sobral de Monte Agraço) não é o mais favorável à cultura de orquídeas no exterior: é frio no Inverno (menos 4ºC a 6ºC que Lisboa e mínimas negativas durante pelo menos umas semanas todos os anos); é quente e seco no Verão e tem vento. Olá se tem vento! Tem vento sempre! E não é ventinho: é Vento com V maiúsculo. Conta-se cá na terra que uma galinha se pôs a pôr um ovo contra o vento e acabou por pôr o mesmo ovo três vezes...
Sem estufa não havia hipótese de uma colecção a sério e, parafraseando um amigo Brasileiro, "Money, que é good, nós não have"...

A solução inesperada

Não sei bem como fui parar a Montachique (Saudações, Senhor Rafael!), onde, além de ser muito bem recebido por alguém que quer mesmo ensinar o que sabe, vi que inteligência e imaginação permitem ultrapassar muito dos problemas causados pela falta do vil metal (nunca percebi porque é que ele é vil se todos o queremos), e que eu conseguiria fazer a minha própria estufa, aproveitando as soluções imaginadas e testadas em Montachique. Não há maior louvor que o plágio...

A um canto do quintal tinha (ainda tenho) umas "casas" que tinham começado a ser construídas para criar canários e coelhos. Ainda estão por acabar: nunca lhes tinha posto o telhado porque resolvi voltar para a Universidade (devo estar a ficar senil...) e, Graças a Deus!, não tenho tempo para mais bicharada. Mas o espaço está lá... Eureka! Já posso ter estufa! Umas conversas com um vizinho e amigo que é um artista serralheiro e o projecto está feito.

Boas intenções

Este Blog vai contar o planeamento e construção da estufa e a evolução da minha nova colecção de orquídeas. Agradeço os comentários e sugestões de todos pois é mais inteligente analisar e beneficiar da informação que nos pode vir da experiência dos que já tentaram, em vez de teimar em cometer erros desnecessários.

Não vou postar todos os dias porque sou muito preguiçoso, mas darei uma ideia do projecto actual e tentarei ir-vos mostrando os progressos. 

Vale!



3 comments:

  1. Bom, desconhecia (também só nos conhecemos o quê 1 mês?) essa sua veia poética. Muito bom. Pela parte que me toca disponha, sempre que possa ajudar cá estamos.

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  2. Não sei se lhe ensino seja o que for, mas já vi que ler os posts do seu blog vai ser um prazer. Acho mesmo que farei uma ou outra visita...

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    1. Muito obrigado pelo voto de confiança. Quanto ao ensinar, não se iluda! Eu tenho uma ignorância enciclopédica...

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